12 de fev de 2013

O Diário de Rodrigo

Capítulo VIII - Reviravoltas - Pt02


"Acordei assustado. Estou agora numa cama grande, com lençóis brancos extensos e macios. Um quarto pouco iluminado através das cortinas que tampavam o sol e sua luz. Era dia. A cabeça estava como uma bateria de escola de samba. O hálito ainda contém o sabor da vodca da noite anterior. Sento na cama e sinto frio. Olho por debaixo dos lençóis. Estou nu e o mais apavorante de tudo é não saber como se chega nesse estado e não se lembra de nada do que acontecera. 
Meu coração, apesar de toda situação, me fazia sentir algo bom. Um misto de prazer e satisfação. Levo uma das mãos até a cabeça e a outra procura alguma coisa ou alguém ao lado da cama. Não achei ninguém animado ali, apenas travesseiros me cercavam.
Tento abrir mais os olhos. A dor de cabeça ainda persiste. E vejo uma varanda por de trás das cortinas escorridas no meio da porta e nela também estava um homem. Tento me recompor colocando minha cueca da sorte - a com estampa do flash - e sigo ao encontro dessa pessoa.
Me aproximo, atravesso as cortinas, sentindo o carpete creme de bom gosto no chão gelado e vejo esse rapaz. Estava de cueca - preta - também e uma regata branca. Confesso que me assustei. Não costumava dormir nu ainda mais com outro homem no recinto e de cueca também. Era o Maurício, o meu mais novo amigo perguntando se tinha dormido bem. Respondi na medida do possível e nossos olhos se encararam de uma forma estranha por alguns segundos. Até que seu sorriso interrompeu o momento. Ele me pediu para sentar na mesa e tomar um café. É, tinha uma mesa na varanda pequena, com café, xícaras, torradas e manteiga. Nada muito sofisticado mas com uma cara boa. 
Não estava à vontade com a situação, agradeci por tudo - mesmo sem saber o que era tudo - peguei minhas roupas e falei que precisava ir pra casa. Maurício sorriu novamente e perguntou se eu não queria saber o que acontecera na noite anterior. De fato, aquele não era o momento para saber de nada que pudesse abalar minha moral momentânea - se é que ainda existia alguma. Respondi que depois conversaríamos a repeito. Esbarrei no sofá e bati a porta da sala do apartamento.
Nunca desejei tanto que um elevador chegasse tão rápido. Dentro dele, eu fiz muita força para lembrar o que tinha acontecido. Nada vinha a mente. Só me lembrara de vodca, risos, sorrisos e frio.
Fiquei atordoado o resto do dia e como estava desempregado mesmo, fiquei quietinho no meu canto me recompondo de um porre histórico.
Acho que a combinação vodca, Rodrigo, cueca do Flash e Maurício...nada a ver!"

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