14 de dez de 2010

Meu casamento perfeito


Um dia desses me senti mais vivo, mais bonito, envolto por uma sensação de felicidade misturada com falta de entendimento. Eu estava casando!Sério, demorei a acreditar. Mas fazia muito sentido, me encontrava em frente a uma igreja linda, cercada por margaridas nos jardins. Um sol reluzente num fim de tarde diferente. Tudo parecia calmo demais, eis que sinto uma brisa leve tocar minha pele que fugia em poucas partes de um fraque digno de gala, e um aperto delicado preencher minha mão esquerda.
Minha mente parou nesse instante. O coração disparou desordenadamente. E correspondi o ato olhando lentamente quem se encontrava ao meu lado de baixo para cima. Meus olhos pareciam lentes sem foco, encontrara dificuldade para identificar e desvendar o que via. Um sapato pequeno, branco, usado por um lindo e delicado pé. Desviando meu olhar para cima ainda lentamente, reconheci mais um pouco das pernas, joelhos que estavam cobertos por um tecido suave e leve. Um vestido branco, mas que não era uma simples vestido branco. Ainda com os olhos em movimento, desvendei sua cintura fina, busto bem delineado acompanhando braços finos, ombros bem femininos e mais lindos que tinha visto até o momento. Uma face preenchida por lábios carnudos e rosados, nariz afilado e olhos cor de mel.
Meu espanto maior foi quando esta me chamou por um vocativo do qual sempre esperei ouvir. Ela parecia me conhecer só pelo olhar. Uma sintonia surreal, especial. Me chamando de "meu amor". Meus olhos se encheram d'água, e uma lágrima escapou dos mesmos, demonstrando minha mais sincera felicidade.
Envergonhado por transmitir meu sentimento aflorado, cabisbaixo fiquei imediatamente, tentando esconder alguma coisa. Ainda com os olhos encharcados, identifiquei o símbolo real do ato que cometera. Uma jóia reluzente, com um brilho peculiar e de cor dourada. Acompanhado de um brilhante pequeno ao centro. Minhas mãos estavam mais velhas. Já não era mais o mesmo. Definitivamente, percebi que uma etapa de minha vida ficava para trás. Uma aliança de casamento. É... me casei. Estou casado!
Sua mão, a outra que não segurava minha mão naquele momento, a de minha amada contornou meu corpo, chegando até meu rosto molhado. Com um toque de seus dedos levemente fechados ela ocupou o espaço abaixo do meu queixo e ergueu minha face, a fim de encontrar a sua novamente. A partir daí, sua mão agora transformou-se numa concha, acomodando meu rosto como uma espécie de travesseiro. Parecia mais que um simples toque, era confortante, aconchegante. Meu espírito acalmara-se ao contato com sua pele macia e cheirosa. Fechei meus olhos e me entreguei.
Em seguida despertei ao seu lado, no que parecia nosso quarto. Um ambiente calmo, o dia estava amanhecendo, uma cama espaçosa revestida com lençóis brancos de seda. Ainda desnorteado, ela me completou deitando-se sobre meu peito. Estávamos ainda frente a uma paisagem linda da sacada. Não tive coragem de perguntar coisas do tipo: "quem é você?" "qual seu nome?" ou melhor "você é o meu amor?"
Porém, ela parecia tão linda, tão feliz entre meus braços, como nenhuma outras das que passaram por ali estiveram ou sonharam estar. Resolvi aceitar aquela condição, aquela situação nova e tão intensa.
Abracei-a correspondendo seu carinho, seus chamados de meu amor...
Caramba que dor!!!
Estava tudo tão lindo, tão bom... mas acordei e dessa vez acordei mesmo. Estava sozinho na sala, com a luz do dia brilhando diante de meus olhos. Parei um instante... e pensei comigo: "Posso voltar??!!"

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